
Cafés e lendas
Durante a pandemia de Covid-19, como resultado do isolamento que foi necessário para tentar diminuir o crescimento da doença e poupar vidas, muitas pessoas se sentiram sozinhas e com saudade de situações sociais. Nesse período, ocorreu um crescimento de histórias com esse pano de fundo. Indiretamente, também houve um boom criativo por parte de profissionais que até então não haviam publicado nenhuma obra.
É o caso de Travis Baldree: Cafés e Lendas é a obra de estreia do autor que tem uma carreira como narrador de audiolivros e já trabalhou como criador e designer de jogos.
Em entrevista publicada no final do livro, ele comenta que a ideia para essa história surgiu durante a pandemia de Covid-19, quando ele disse a alguns amigos que queria ler “uma história água com açúcar ambientada nos Reinos Esquecidos. Algo com um enredo não muito dramático e que estivesse mais para uma canja de galinha do que comida de bar.” Ele diz ainda que sentia falta das cafeterias e que “conversar tomando uma xícara de café parecia o auge da fantasia escapista para mim”.
Sinopse:
Após anos de aventuras, Viv decide que é hora de mudar de ares. Ela se muda para uma cidade chamada Thune e decide iniciar seu próprio negócio, longe de lutas e tesouros, ela troca o calor da batalha pelo calor das xícaras de café. O problema é que nessa cidadezinha ninguém sabe o que é café, então, ela ainda precisa fazer o pessoal da cidade ficar viciado nessa nova bebida igualzinho os nossos contemporâneos.
As lendas são os amigos que fazemos pelo caminho
Depois de abrir a cafeteria Viv vai fazendo amigos, alguns se juntam ao empreendimento como funcionários, outros como clientes fieis. Dentre eles está Cal, um hob de poucas palavras que é muito bom em engenharia, Tico, um adorável ratoide padeiro que cria ótimas receitas para o cardápio e a adorável Tandri, uma súcubo que mexe com os sentimentos da Orc.
“ Mas no fim de toda essa trabalheira… haveria algo que ela teria construído em vez de destruído.”
Uma Orc e uma Súcubo entram numa cafeteria
Tandri chega à cafeteria através de um anúncio de emprego colocado pela Orc no quadro de avisos da praça da cidade. Ao conhecermos a súcubo, entendemos que ela e Viv tem um objetivo em comum: aprender a fazer algo diferente, dar um novo rumo às suas vidas.
Gosto como o relacionamento das duas é construído, uma relação pautada na amizade e companheirismo que vai aproximando as duas aos poucos.
Minhas impressões
A história segue e ficamos com aquela impressão de que algo muito ruim pode acontecer a qualquer momento, porque, depois dos percalços do início de um novo negócio, tudo parece dar tão certo que ficamos um pouco tensos torcendo para que Viv consiga seguir sua nova vida sem incidentes.
Na verdade, não há realmente nenhum grande acontecimento, é uma história na vibe da literatura de cura (healing fiction) pois a protagonista chega em um novo local, tenta mudar de vida, alguns elementos indesejáveis retornam do seu passado para assombrá-la mas no geral, o que acontece são coisas da vida e ela se reergue com ajuda da comunidade que criou.
Gostei da ambientação da cafeteria e de sentir cheirinho de café exalando do livro toda vez que a cena se passava lá (coisa de gente viciada em café? Talvez). A construção do cardápio também é um ponto divertido, já que cada vez que elas tinham uma nova ideia aparece o cardápio atualizado.
Outro ponto interessante dessa edição é que ao final você encontra um outro conto ambientado no mesmo universo e uma página do livro de receitas do Tico. Se fizer “Tiquinhos” me chame pra provar.
Minha conclusão é: não crie tantas expectativas, mas leia de coração aberto.
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