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Bruxas gostosas também podem ser entediantes | Bayonetta: Destino Sangrento

O meu programa de domingo à tarde foi uma viagem nostálgica. Estava visitando minha mãe na minha cidade natal. E, assim como muitas tardes ociosas da minha adolescência com acesso limitado à internet, resolvi passar meu tempo assistindo a um filme de anime japonês. Dublado, claro, como se tivesse ligado a televisão quase no final dos anos 2000 em algum canal da TV aberta (como a Band, RedeTV ou o SBT). Mas era só o meu computador em um canal aleatório do YouTube, depois de ter visto um corte de uma mulher muito loba e diva massacrando criaturas de outro mundo. Sim, estou falando dela: Bayonetta.

Confesso que eu não conhecia muito sobre a história de Bayonetta. Todo o meu repertório, até chegar ao filme “Destino Sangrento”, era por memes e imagens nas redes sociais. Mas a resposta pro ócio de domingo sempre será um grande SIM quando o assunto é acompanhar, durante uma hora e meia, uma bruxa estilosa lutando contra anjos e invocando demônios com seus cabelos fazendo poses sensuais.

Com grandes visuais, quem precisa de história amarrada?

Como já era de se esperar, temos um deleite visual em “Bayonetta: Destino Sangrento”, que é a adaptação do jogo para anime. A produtora não economizou no visual. Se o que compartilhamos e consumimos da personagem na internet são suas poses e formas de luta extravagantes, temos isso muito bem representados no longa metragem. O design de Bayonetta, com suas roupas feitas de cabelo (que vão se revelando à medida que ela usa seus poderes), é realmente um show à parte. As cenas de ação são espetaculares, cheias de coreografias exageradas e magia explosiva. No entanto, é impossível não notar a superficialidade do enredo.

Em uma rápida pesquisa, após os créditos, entendi que o filme tenta seguir os eventos do primeiro jogo (que não joguei). Mas a história parece espremida, com um desenvolvimento acelerado, o que deixa a trama desleixada. Para quem não conhece o jogo, como eu, isso pode parecer um pouco confuso. Eu realmente não queria pensar naquele domingo de calor, mas mesmo com um ritmo rápido, Bayonetta foi capaz de me fazer questionar o que estava acontecendo (e não de uma forma curiosa).

Mas o que acontece nesse filme?

Bayonetta acorda de um sono de 500 anos sem memória, e a trama se desenrola em uma jornada para descobrir seu passado, com batalhas épicas contra anjos ao longo do caminho. Embora visualmente impressionante, a história se perde em sua própria grandiosidade, tornando-se difícil se conectar com os personagens ou entender suas motivações.

Mas, de qualquer forma, o filme entrega o que promete: uma experiência divertida e visualmente bizarra. A relação de Bayonetta com a criança Cereza traz momentos mais emocionais, e as batalhas com sua rival Jeanne são um destaque à parte. No entanto, como muitos críticos apontaram, a adaptação parece melhor como um complemento para fãs do jogo do que como uma obra independente. É uma jornada cheia de ação, mas que carece de profundidade emocional e narrativa.

Uma coisa meio pombo, tanto faz, tanto fez

Assistir “Bayonetta: Destino Sangrento” foi como um passeio por uma montanha-russa de adrenalina visual e pequenas piscadas de olho por tédio em não entender direito o que estava acontecendo. Para os fãs de animes de ação ou do jogo original, o filme pode ser uma ótima escolha para uma tarde de domingo. Mas se você está atrás de uma história complexa e envolvente, talvez acabe se sentindo um espectador passivo em uma aventura que promete mais do que entrega.

No geral, valeu a pena a experiência nostálgica que me lembrou de assistir animes como Dragon Ball no tapete da sala da casa dos meus pais.

One thought on “Bruxas gostosas também podem ser entediantes | Bayonetta: Destino Sangrento

  • Tenho sentimentos mistos por Bayonetta… acho um JOGAÇO, mas a ambientação é meio forçada. Nada contra o nonsense, até porque a proposta era ser um “Devil May Cry feminino”, mas a forma como as coisas acontecem e as motivações da Cereza saem pela culatra. Além do que, ela serve como bandeira “Nintendo Switch para adultos”, e não sei se funciona muito bem. Mas continua um JOGAÇO.

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