
Último Ronin: As Tartarugas Ninja | chega de pizza, agora é só vingança
Nada que eu te disser sobre o Último Ronin vai te preparar para o que você vai ler. É difícil fazer uma análise completa da obra porque a grandiosidade dela está ali, na sua cara. Mesmo assim, vivemos em uma época em que o óbvio precisa ser dito, e em nome do óbvio, aqui vai um artigo de quinhentas e poucas palavras sobre por que Tartarugas Ninja: o Último Ronin é bom pra cacete.
Desde que Frank Miller fez o desserviço de popularizar histórias como O Cavaleiro das Trevas, onde o protagonista está velho, decrépito e levemente louco – e às vezes com superpoderes, fomos bombardeados com várias histórias do mesmo gênero, uma distopia onde o drama do protagonista é envelhecer triste enquanto resolve problemas e nos inunda de fanservice.

Se por um lado o próprio Cavaleiro das Trevas é responsável por ampliar o panteão de fórmulas de quadrinhos mainstream, lado a lado com “protagonista que era bonzinho e virou um ditador do mal” e “história de origem do personagem, mas tudo é invertido”; por outro fomos agraciados com um punhado de boas histórias, afinal, toda fórmula é uma fórmula por um motivo – o Velho Logan, por exemplo, e o próprio Cavaleiro das Trevas, não são nada mau.
O Último Ronin é definitivamente uma dessas histórias que define a fórmula. E embora pessoas muito mais inteligentes que eu já tenham contribuído para a discussão dessa obra, eu venho aqui mesmo assim, dar a cara a tapa pra dizer p*** que pariu como isso é bom.
Minha experiência
Ganhei o Último Ronin como presente de dia dos namorados e devorei. Meio apertado com o serviço, eu me atrasava todos os dias porque lia enquanto tomava café da manhã e sempre queria ler só mais uma página.
Um enredo trágico sobre luto, aceitação e renovação, mas que mesmo assim vem num envelope de fanservice de massa folhada e recheio de frango molhadinho que é mais gostoso do que a padaria daqui do bairro.
Dois capítulos adentro e eu já estava inundado de emoções, reconhecendo personagens amados, ao mesmo tempo em que abria meu coração para as tristezas que vem página após página.

Talvez tenha um elemento de conexão humana nessa categoria de quadrinhos – e o roteiro de Kevin Eastman e Peter Laird (esse último já um setentão e ainda criando) não deixa nada a desejar. O contraponto aqui é o futuro sombrio e mórbido em que se encontram personagens que outrora foram tão conhecidos pela alegria, ao passo em que novas e cativantes personalidades surgem – amarradas pela desculpa favorita de qualquer roteiro de ação: vingança.
Uma das tartarugas sobreviveu, e lida com o trauma e culpa causados por isso. À medida que tentamos compreender os eventos que se deram entre o presente que conhecemos e o futuro distópico de o Último Ronin, somos levados a flashbacks desenhados pelo inconfundíveis traços de Eastman (já com 60 e poucos anos e sem ficar gagá – aprende aí, Frank Miller).

Último Ronin deixa um legado
O artifício da nostalgia serve o roteiro até certo ponto, porque depois é só ladeira acima – ação num ritmo bem cadenciado, com pitadas de sarcasmo e sem perder nenhuma oportunidade de sátira – especialidade de Eastman e Laird, só que dessa vez parodiando a si mesmos, da melhor maneira possível.
Daqui há uns 20 anos, quando eu tiver filhos e eles já forem maduros o suficiente para compreender as piadas que Michelangelo contava, vou tirar essa edição da prateleira, onde foi guardada com muito carinho, e pedir que eles leiam. Sim, é bom nesse nível.
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