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Alice: Madness Returns tem dificuldade diferente no PC e Console

Lá está você numa tarde tediosa de domingo, onde a sua conta inteira da Steam parece não ter nada legal para jogar. Seboso como é, você decide seguir a recomendação que um amigo seu fez há pelo menos 10 anos: um hack n’ slash com uma proposta diferente, um tanto surrealista: adaptar Alice no País das Maravilhas; só que todo mundo quer te matar.

Você compra (por R$ 8 reais) e baixa Alice: Madness returns. O estilo cartunesco dos personagens disfarça as falhas e os gráficos datados, e te leva para longe das suas críticas, e você começa a tomar um certo gosto por aquele universo. 

Alice: Madness Returns cumpre o que promete (por um tempo)

Em torno de vinte ou trinta minutos, você está engajado. A ação do jogo é justa, com um nível de dificuldade okay, não tão repetitivo e com mecânicas interessantes, embora o controle de câmera seja um pouco irritante e o jogo seja fatalmente datado. No fundo você sabe que esses pontos negativos talvez existam só na sua cabeça. Não é justo julgar com olhos de hoje um jogo publicado em 2011, que resgata a originalíssima ideia de uma protagonista feminina, jovem e fofinha, com altas tendências psicóticas. 

Como todo nerdola chato, você monitora o uso de recursos do seu computador enquanto joga, e percebe que sua placa de vídeo está com consumo menor que 2% e sua CPU em menos de 5%. Excelente, você pensa, só alegria. 

Seguem as horas, e você está matando chaleiras freneticamente, numa espécie de Devil May Cry com (mais) drogas. Agora são três horas investidas no jogo e você já entendeu que seu domingo vai ser pautado em ajudar o genérico de Wandinha a recuperar sua psyché. 

E aí o jogo trava.

O início do pesadelo

Vou te falar, meu amigo, não é aquela travada clássica. É a travada que te faz precisar reiniciar o computador, completamente congelado, e nenhum atalho do teclado é capaz de te ajudar. 

Você reinicia o computador e volta do último checkpoint, prosseguindo lentamente até o ponto em que travou. 

E o jogo trava de novo. 

Neste momento a sua frustração já não pode ser contida. Você agarra seu celular e pesquisa por alguém na Steam ou (me perdoe, Deus) no Reddit que tenha encontrado o mesmo problema. Aqui está a gameplay mais difícil de todas: conseguir fazer essa bagaça rodar. 

Alice trás à tona minha fixação em corrigir problemas que eu não criei

Aqui, a história começa a fazer sentido na sua cabeça. O jogo já havia sido removido anteriormente da plataforma e publicado de novo, alguns anos depois. O preço, os reviews negativos… tudo faz sentido. 

Caramba, você, um idiota, pensa: “Vai ser um daqueles jogos em que eu preciso procurar uma solução antes de jogar”. Fora do jogo, você pesquisa por “Alice Madness Returns” e todos os erros que pode imaginar.

Alice: Madness Returns tem problemas sérios de compatibilidade.
O gato fica o jogo inteiro travado também.

Percebe que alguns jogadores baixam arquivos dll, editam configurações direto nos arquivos do jogo e, pasmo, lê que alguns até preferem jogar a versão pirata porque apresenta menos erros. 

Completamente obcecado, cada um dos seus esforços é dedicado a tentar trazer de volta a branquinha cabeluda ao país das maravilhas. As horas do seu domingo estão correndo, e o jogo não está aberto. Nem reinstalar resolve. 

É hora de aceitar a derrota, mas não sem antes escrever um artigo levemente raivoso e com um humor questionável. 

Isso me lembrou Prototype, cuja versão da Steam não é jogável a menos que você desative algumas threads do seu processador. 

Como podemos conservar jogos, se até um jogo de uma década atrás, obtido por meios legais, falha em me tirar do tédio de domingo?

Valia mais a pena ter ficado assistindo o Luciano Huck. 

Alice no País das Maravilhas (livro)

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