
Ghost Of Tsushima é, visualmente, um jogo lindo
Desde o ano passado eu não tinha pegado um jogo do início para terminar em alguns dias. Ghost Of Tsushima, desenvolvido pela Sucker Punch Productions, numa primeira impressão pode parecer apenas mais um jogo no estilo hack and slash no qual você precisa expulsar os inimigos de uma ilha. Mas, depois de três dias imerso dentro da história do protagonista, é possível perceber que é uma jornada deslumbrante de auto descoberta pelo Japão feudal.
O jogo combina de forma magistral um mundo aberto imersivo, com muitas, mas muitas missões secundárias que vão fazer o protagonista evoluir cada vez mais e espalhar sua lenda por uma das ilhas do Japão, com uma narrativa envolvente centrada em honra, sacrifício e as leis samurais – essas que eu ignorei durante toda a jornada. Eu não queria saber do caminho samurai, eu queria matar a sede de vingança que me tomou. Sim, tomei as dores de um samurai de computador.

A História de Jin Sakai: o fantasma
No coração de Ghost Of Tsushima está a história de Jin Sakai: um samurai dividido entre o rígido código de honra do Xogum e a necessidade desesperada de salvar sua terra natal dos invasores mongóis. Enquanto guiamos Jin em sua jornada de transformação, criando sua lenda como o temido “Fantasma” (por isso o nome do jogo), a narrativa explora temas profundos como lealdade, honra, sobrevivência, traumas do passado e consequências das suas decisões para o futuro da ilha de Tsushima. Essa evolução não é apenas mais um dispositivo de enredo, mas está intrinsecamente ligada à jogabilidade, oferecendo escolhas que impactam como Jin será percebido pelo mundo e personagens ao seu redor.
O desenvolvimento de personagens é profundo, interessante e natural, tendo o conflito interno de Jin refletido em suas interações com os aliados e inimigos. Ghost Of Tsushima não hesita, em nenhum momento, em mostrar as consequências das ações de Jin, fazendo com que cada decisão pareça pesada e significativa.
Escolha com sabedoria o que responder para o seu tio a caminho da dominação de um dos castelos. Cada história, seja de um simples camponês que mora à beira de um rio ou a de algum outro personagem secundário como a guerreira Masako e a ladra Yuna, são também muito bem desenvolvidas e adicionam uma camada extra de profundidade ao jogo.
Tudo é muito lindo, bonito, belo em Ghost of Tsushima

Desde o momento em que pisamos na ilha de Tsushima, os visuais impressionantes do jogo chamam a atenção. Não quero soar redundante aqui, mas se tem algo que me deixou ainda mais fisgado e ansioso para que chegasse o fim do expediente de trabalho para poder pegar no controle e dar continuidade à jornada de Jin, foram os visuais. As paisagens são o sonho de um pintor. Cenas belíssimas, campos de capim balançando ao vento, florestas densas, templos tranquilos e picos cobertos de neve ilustram o caminho que seguimos até derrotarmos o grande vilão.
Sem sombra de dúvidas, o design e a arte são o ponto alto de Ghost Of Tsushima. A atenção aos detalhes no design do mundo torna a exploração um prazer. Em um momento você se vê tão imerso que ajudar um simples NPC, que não faz diferença nenhuma para a história principal, parece ser sua obrigação como grande salvador de Tsushima. Seja seguindo raposas ou desvendando os mistérios de santuários escondidos ou participando de duelos épicos sob o brilho das folhas caindo. Tudo parece muito cinematográfico and I think that’s iconic!
Uma direção de fotografia de tirar o fôlego, transformando cada momento em uma pintura viva. A forma como os movimentos de câmera são utilizados nas cut scenes, as sombras para destacar a naturalidade da vida selvagem e os elementos culturais de um Japão em ruínas clamando por ser salvo.
A fotografia do jogo não apenas serve ao propósito estético, mas também reforça a imersão do jogador. Esse cuidado é o que me deixou preso durante quase três semanas seguidas, concluindo todas as missões secundárias, para só então ir para a missão principal e finalizar o jogo quase por completo.
Dicas para não sofrer dano

Além dos gloriosos e belos passeios a cavalo por campos vastos (e às vezes cheios de mongóis para enfrentar), os combates também trazem um brilho especial à Ghost Of Tsushima. A mecânica do “confronto” permite que nós desafiemos os inimigos para um duelo de um golpe certeiro, honrando o código samurai de nunca atacar pelas costas. No entanto, à medida que vamos fazendo Jin abraçar o caminho do “Fantasma”, a furtividade se torna um elemento crucial para derrotar hordas de inimigos que não vão te deixar em paz até cortarem sua cabeça.
O combate é fluido, leal, não muito difícil e exige muita estratégia. Sim, estratégia. Apesar do gênero “ir e bater”, é preciso calcular quando defender para não levar dano e, de forma ainda belíssima, revidar em um contra-ataque que vai fazer o sangue do inimigo jorrar de seu corpo como arte.
A troca de posturas é essencial. Essa inclusive me lembrou bastante “Kimetsu No Yaiba”. Cada postura serve para um tipo de inimigo e um tipo de combate diferente. É preciso ser ágil e trocar entre elas durante a batalha para atacar os inimigos e manter um combate liso e desafiador ao longo do jogo. O manejo da espada é tanto brutal quanto belo, cada golpe sendo impactante.
E agora, quem poderá me defender?
Eu agora estou novamente órfão de um jogo que vai me fazer entrar de cabeça e viver a história como se eu estivesse mesmo lá dentro daquele mundo. Confesso que quando decidi jogar Ghost Of Tsushima não esperava que fosse algo grandioso. Encarei apenas como algo que ia me fazer não pensar no capitalismo e que me deixaria burro por algumas horas no dia para que eu pudesse apenas relaxar. E ele cumpriu o seu papel! Enquanto estava com o controle em mãos, minha única preocupação era colocar a lâmina no peito dos inimigos, vingar a morte de meu pai e limpar a ilha de Tsushima do terror causado pela invasão dos mongóis.
Novamente, preciso dizer que a arte e a direção de fotografia são extraordinárias e esse é um dos jogos mais bonitos que joguei. Os visuais transformam a experiência de ser apenas um jogo qualquer. Se você é atraído por uma rica história, com os pontos interligados, um cenário visualmente deslumbrante, um combate sanguinário e intenso, Ghost Of Tsushima oferece uma experiência que permanece com você algum tempo depois que os créditos finais rolam.

Definitivamente um dos jogos já feitos