Cinema

Presumed Innocent: vale a pena gostar da bunda de um homem escroto?

Por questões editoriais sérias, preciso começar esse review dizendo que: “Presumed Innocent” tem o gostoso do Jake Gyllenhaal pelado. Mas não se apegue muito a essa objetificação do corpo do ator, pois, assim como nos episódios, esse pensamento muda ao longo do texto. A minissérie da Apple TV+, baseada no aclamado romance de Scott Turow, é um thriller investigativo eletrizante, onde nada é o que parece e a verdade se esconde em um labirinto de mentiras, traições, segredos e remorsos.

“Presumed Innocent” não se contenta em ser apenas um thriller investigativo. A série explora temas como família, a fragilidade da justiça e o preço da ambição. Nos colocando como testemunhas da vida em ruínas de Rusty e sua família, enquanto ele luta para provar sua inocência no caso de um assassinato de uma colega de trabalho.

Os streamings que se preparem

Eu já disse em outro texto como a Apple TV+ veio para ser um serviço de streaming diferenciado por suas produções. E aqui não seria diferente. Novamente temos uma produção audiovisual de qualidade inquestionável. Como (ex) amante da Shondaland, “Presumed Innocent” é um prato feito, mas bem produzido. Com um roteiro muito bem executado, bem direcionado, sem furos (que se houveram, não foram perceptíveis para mim), com um Q de novelão bonito.

Existem tantas reviravoltas a cada episódio que deixa a experiência gostosa, mesmo que em vários momentos acabe nos deixando sem ar e muito ansiosos para dar play no próximo da lista. Acredito que a última série que me deu esse gosto amargo na boca foi “How To Get Away With Murder”. Sabemos que foi uma série feita com cuidado quando percebemos a fotografia conversando profundamente com a emoção dos personagens e dos temas de cada cena.

Na minha concepção de quem fez teatro numa cidade pequena, temos atuações verdadeiras e convincentes. Aliás, a Apple TV+ desembolsou uma grana muito boa para ter esse elenco grandioso de rostos conhecidos por outras grandes produções. Ruth Negga (Loving, Passing), O-T Fagbenle (Looking, The Handmaid’s Tale), Peter Sarsgaard (The Batman, The Sound Of Silence, Jackie), Noma Dumezweni (Only Murders In The Building, Made For Love, Doctor Who), Virginia Kull (Shameless, Percy Jackson) e Lily Rabe (American Horror Story, Fractured) são nomes que compõem o elenco.

Gostoso, mas nem a bunda dele salvou

Mas conseguimos dar um destaque especial para a performance memorável de Jake Gyllenhaal como Rusty Sabich, um promotor de justiça exemplar que se torna o principal suspeito do assassinato de sua colega de trabalho. Após alguns episódios, é possível enxergar em Rusty a personificação do macho manipulador e agressivo. Eu disse que a imagem de gostoso não duraria muito tempo. Termos visto sua bunda ali nos primeiros episódios não foi o suficiente para passar o pano para algumas de suas atitudes.

Ele está tão bom nesse papel, mas tão bom, que a gente começa a torcer contra o personagem principal. Em 4 episódios nos vemos torcendo para que ele tenha sim culpa no assassinato e que ele seja preso. Bom, se nem o corpo nu de Jake Gyllenhaal não me fez simpatizar com o personagem principal, eu diria que ele sim está incrível nesse papel. A imagem de bom moço (e gostoso) de Rusty Sabich acaba sendo quebrada. Sim, é brochante (sexualmente falando) ver um homem desse tamanho ter essas atitudes.

Essa é uma experiência que eu gostei e que gostaria de ter também em outras obras: ver seu tesão por um personagem fictício em decadência enquanto vamos descobrindo mais sobre ele. Acabamos tendo um suspeito de assassinato por conta de seus segredos obscuros, sua infidelidade no casamento e suas atitudes agressivas com as pessoas.

Presumed Innocent é uma novela da Apple TV+

Quando vou iniciar uma nova série ou filme, geralmente gosto de ter o mínimo de informação sobre – além do título e uma sinopse rasa típica de Wikipédia, mas que seja o suficiente para me fazer querer assistir. Por se tratar de um thriller investigativo, quando sentamos para assistir “Presumed Innocent” esperamos ser surpreendidos com cada detalhe da obra. Aqui, somos surpreendidos a cada episódio. Os minutos finais dos episódios vão gerar tensão, incerteza, desconfiança, ansiedade e, em alguns deles, fazer você dar aquele suspiro de surpresa.

Eu sou apaixonado por esse tipo de série e filme! Já fui cria de “Pretty Little Liars” à “Sherlock”. Gosto de ir desvendando o mistério junto com todos os personagens envolvidos. No início, não temos muitas pistas claras e algumas coisas parecem cair do céu como uma solução – o que me incomoda um pouco. Mas para a trama ser guiada é preciso ter coisas além da nossa compreensão, num primeiro momento e serem explicadas mais para frente.

Presumed Innocent | Sabuga | Na foto, Jake Gyllenhaan acompanhado de dois homens.

Nós não sou eu

“Presumed Innocent” mostra como mentiras podem te levar a um labirinto onde a única saída é perder tudo que está na palma de sua mão. É um jogo de poder, uma novela muito bem produzida capaz de nos prender e querer ver a solução de um caso fictício como se fizéssemos parte daquele mundo. Vemos a ruína de uma família, muito bem estabilizada, por conta de uma traição e, consequentemente, um assassinato.

A série nos mostra como as relações, para serem sólidas, precisa de comprometimento e confiança. “Differentiate”, a palavra que é dita no episódio 3, ecoou na minha mente durante toda a semana em que eu engolia a série. A explicação que dão para esse termo é “você não é ele, nós não sou eu”. Às vezes nos pegamos tão imersos em um modelo de relação (amizade, namoro, familiar) que esquecemos que somos indivíduos que viemos ao mundo sozinhos e morreremos sozinhos. É preciso saber se separar das relações, numa posição saudável, para que elas não te engulam.

Por fim, um lembrete para os machões de plantão: murrinho na parede não te salva das responsabilidades da vida e não vai provar que você é uma boa pessoa.

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